Venezuelana que mora no AC sonha em voltar ao país e relata fome, apagões e falta de notícias da família: 'Vivi na pele'
06/01/2026
(Foto: Reprodução) Venezuelanos criticam protesto no Acre contra ataques dos EUA
"Anseio muito por isso, mas sabemos que não é fácil. A Venezuela precisa de tempo para se estabilizar".
Este é o relato da venezuelana Eduvi Gonzalez, de 31 anos, que acompanha com apreensão a situação da família que permanece na Venezuela em meio à crise no país e após a captura de Nicolás Maduro no último sábado (3), em Caracas. Em entrevista ao g1, ela diz sonhar em retornar ao país de origem, apesar do cenário de crise.
A microempreendedora mora no Acre com o marido, Juan Gonzalez, desde 2018, e ambos discutiram com manifestantes em um protesto contra a prisão de Maduro no último domingo (4), no Lago do Amor, em Rio Branco, organizado por movimentos sociais que defendem a soberania da Venezuela e criticam a operação militar que prendeu o ex-presidente. (Veja o vídeo acima)
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Durante a manifestação, o casal se posicionou de forma contrária ao protesto e afirmou que a realidade vivida pela população venezuelana é diferente da defendida pelos organizadores do ato.
"Não sou partidária política, mas vivi na pele a fome, o sofrimento e a pobreza do meu país", disse.
Segundo ela, após o ataques dos Estados Unidos, os familiares enfrentam falta de alimentos, cortes no fornecimento de energia elétrica, interrupções no sinal de internet e um toque de recolher que obriga a população a se manter reclusa no fim da tarde.
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Casal esteve no centro de uma discussão durante uma manifestação no Lago do Amor, em Rio Branco
Amanda Oliveira/Rede Amazônica
Mesmo vivendo no Brasil há oito anos, Eduvi afirmou que a angústia é compartilhada por venezuelanos que estão fora do país e que aguardam notícias de parentes.
"Ontem [4] falei com minha mãe, mas hoje eles já não têm sinal e não há nenhum tipo de notícia", relatou, preocupada.
A situação vivida pelos familiares, segundo Eduvi, se agravou nos últimos dias, incluindo preços elevados nos poucos produtos disponíveis e falta de acesso à informação.
"Cortaram a energia elétrica, não há comida nos supermercados e o sinal de internet não funciona em alguns lugares", disse.
Eduvi e Juan Gonzalez, casal venezuelano que mora no Acre, relatam alívio após prisão de Nicolás Maduro
Arquivo pessoal
Trajetória no Brasil
Eduvi chegou ao Brasil em 2018 com o marido e o filho mais velho, que tinha dois anos à época. O casal passou por Roraima, Manaus e Porto Velho até se estabelecer em Rio Branco, onde contou com apoio de amigos brasileiros e familiares. "Conhecemos Rio Branco porque meu cunhado é casado com uma acreana", justificou.
Segundo ela, que deixou a Venezuela por causa da crise econômica, não havia emprego nem condições financeiras para concluir a universidade no país de origem, além das dificuldades de sustentar a família. Antes de migrar para o Brasil, ela cursava fisioterapia.
Atualmente, Eduvi e Juán vivem em união estável há nove anos, trabalham com uma distribuidora e têm dois filhos, sendo um nascido na Venezuela e outro no Acre.
Eduvi Gonzalez passou por diversos estados até se estabilizar no Acre
Arquivo pessoal
Apesar da vida construída no Brasil, Eduvi afirma que o desejo de retornar à terra natal permanece, mas somente quando o país estiver mais estável.
"Quero voltar para viver, mas tudo no seu tempo. Sei que não será fácil, mas é o meu país", concluiu.
VÍDEOS: g1