Última apresentação de Ayres Rocha no JAC2 foi há quase dois anos: 'Missão cumprida'

  • 14/10/2026
(Foto: Reprodução)
Ícone do jornalismo acreano, Ayres Rocha deixa a Rede Amazônica após mais de 30 anos 🖤📰 A despedida do Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2) veio com um sorriso, agradecimentos e o tradicional 'boa noite' que, por décadas, fez parte da rotina dos acreanos. Em 8 de novembro de 2024, Ayres Rocha apresentou pela última vez o telejornal noturno da Rede Amazônica, e encerrou uma trajetória de pouco mais de 30 anos sendo âncora. (Assista vídeo acima) Quase dois anos depois, a lembrança dessa despedida ganha um novo significado com a morte do ícone do jornalismo acreano, aos 62 anos, nesta quarta-feira (14), em Rio Branco, em decorrência de um câncer. O velório ocorre a partir das 10h, na capela da Funerária São João Batista, localizada na Avenida Antônio da Rocha Viana, na capital acreana. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Em sua última apresentação, Ayres recebeu uma homenagem dos colegas de trabalho e uma placa em reconhecimento ao tempo dedicado à emissora. Emocionado, ele agradeceu à equipe, à família e aos telespectadores que acompanharam sua carreira. “Primeiramente, obrigada pela lembrança aqui, Rede Amazônica. Foram pouco mais de 30 anos, e eu só tenho a agradecer. É muito difícil, porque não foram 30 dias”, disse. Segundo o apresentador a despedida não representava apenas o fim de um ciclo profissional, mas a celebração de uma história construída dentro e fora do estúdio. Ele também reconheceu o apoio que teve da família. “Queria agradecer a minha esposa e aos meus filhos pela paciência aos feriados, aos sábados e aos domingos, que se abdicaram de algum churrasco para eu estar aqui. Mas jornalismo é isso: tem que gostar, tem que se entregar”, afirmou. Ayres Rocha se despediu da bancada do JAC2 em 8 de novembro de 2024, após mais de 30 anos à frente do telejornal Rede Amazônica Voz que marcou gerações O JAC 2 foi o primeiro telejornal da Rede Amazônica. Ao longo dos anos, diferentes apresentadores passaram pela bancada, mas Ayres construiu uma relação duradoura com o público, que se acostumou a encontrá-lo de segunda-feira a sábado para acompanhar as principais notícias do Acre. A homenagem na época reuniu depoimentos de telespectadores que falaram sobre a admiração pelo jornalista e relembraram reportagens que ficaram na memória. Ao longo de mais de três décadas, Ayres desenvolveu um jeito próprio de conduzir o telejornal. A apresentação era marcada pela seriedade, mas também havia espaço para a emoção e para momentos em que o riso escapava diante das câmeras. LEIA MAIS: Ayres Rocha, ícone do jornalismo acreano, morre aos 62 anos Acre decreta luto de três dias pela morte do jornalista Ayres Rocha Ayres Rocha levou o Acre à bancada do Jornal Nacional em edição histórica; relembre A voz e o estilo do jornalista se tornaram familiares para diferentes gerações. A relação com os telespectadores também apareceu na despedida, quando ele voltou a agradecer a quem acompanhava o telejornal de casa. “Estou muito surpreso mesmo. Inesquecível tudo o que eu vivi aqui com meus amigos. Muito obrigado por tudo, por você que está em casa, sou muito agradecido. É indescritível a sensação. Estou muito feliz. Esse encerramento é imensurável, e eu vou levar para o resto da vida. Valeu toda essa caminhada com vocês”, declarou. Ayres Rocha morre aos 62 anos em Rio Branco Arquivo pessoal Bastidores, piadas e leveza Se diante das câmeras Ayres era conhecido pela seriedade ao apresentar as notícias, nos bastidores a lembrança dos colegas era de alguém que ajudava a tornar o ambiente de trabalho mais leve. Na homenagem, imagens do jornalista dançando no estúdio com as luzes apagadas dividiram espaço com histórias de quem conviveu com ele na redação. Os colegas contaram que Ayres costumava começar uma piada ou lembrar algum episódio vivido durante a carreira, fazendo todo mundo rir. A lembrança compartilhada por quem trabalhou com ele era a de um profissional que não costumava chegar ao trabalho de mau humor ou descontar nos outros os problemas do dia. A descontração fazia parte da convivência e contrastava com a postura séria que o público via na televisão. Além disso, em 2019, Ayres representou o Acre em uma edição comemorativa dos 50 anos do Jornal Nacional, da TV Globo. Ayres Rocha apresentou o JN em 2019 ao lado de Jéssica Senra Divulgação O então apresentador do telejornal, William Bonner, contou que teve a oportunidade de ensinar Ayres a fazer um nó de gravata. Bonner também desejou ao jornalista uma boa aposentadoria, destacando a chegada de uma fase em que seria possível diminuir o ritmo depois de tantos anos de trabalho. “Está chegando aquele momento da vida que todo mundo almeja, aquele em que a gente pode respirar e dizer: ‘Olha, missão cumprida. Agora vamos viver mais levemente’. Ayres, parabéns para você. Meu abraço fraterno”, disse. Trajetória José Ayres de Souza Rocha nasceu e cresceu em Rio Branco. Caçula de uma família com nove filhos biológicos e duas filhas adotivas, ele começou a trabalhar na televisão em 1989, quase por acaso. Na época, trabalhava como bancário durante a manhã e procurava uma segunda ocupação para preencher as tardes. Foi assim que surgiu a oportunidade na então TV Acre. No início, passou meses observando o trabalho dos profissionais da redação até receber um convite inesperado para substituir o apresentador de um programa esportivo que havia faltado. Mesmo receoso de encarar as câmeras, aceitou o desafio. A experiência abriu caminho para uma carreira que acompanharia as transformações do telejornalismo acreano. Ayres passou por diferentes telejornais da emissora, nas edições da manhã e da tarde, até assumir a bancada do JAC2, que estreou em 1995. Ao longo dos anos, também buscou formação acadêmica na área de Comunicação Social e ficou conhecido entre os colegas pelo apelido de “professor”. Ayres Rocha passou a infância em Rio Branco, cidade onde nasceu e construiu sua trajetória no jornalismo acreano Arquivo pessoal Na despedida do JAC2, em 2024, o jornalista encerrou a apresentação com a mesma naturalidade que marcou sua passagem pela bancada. Ao final, veio a frase que tantas pessoas ouviram durante anos, na voz inconfundível do apresentador: “Jornal do Acre 2ª edição fica por aqui. Para você, uma ótima noite, e a gente se vê por aí''. VÍDEOS: g1

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/10/14/ultima-apresentacao-de-ayres-rocha-no-jac2-foi-ha-quase-dois-anos-missao-cumprida.ghtml


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