Táxi-lotação de R$ 5 passa a operar em Rio Branco após apreensão de ônibus; veja como vai funcionar
01/07/2026
(Foto: Reprodução) Táxi-lotação de R$ 5 passa a operar em Rio Branco
A Prefeitura de Rio Branco autorizou, em caráter temporário, a operação de táxi-lotação para tentar reduzir os impactos causados pela diminuição da frota do transporte coletivo na capital. A medida passa a valer nesta quarta-feira (1º) após a apreensão judicial de 38 ônibus da Empresa Ricco Transportes e Turismo.
Segundo a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), o serviço atenderá os trajetos bairro/Centro e Centro/bairro. A tarifa será de R$ 5 por passageiro, por trecho. O valor é superior ao da passagem de ônibus, que permanece em R$ 3,50 para usuários em geral e R$ 1 para estudantes.
✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp
👉Contexto: A autorização ocorre um dia após a apreensão de 38 veículos da Ricco, na madrugada de terça (30), por determinação da Justiça. Desde então, passageiros enfrentam longas filas nas paradas, ônibus lotados e aumento no tempo de espera. A situação também levou a Universidade Federal do Acre (Ufac) a suspender as aulas de graduação nesta quarta (1º) e quinta (2).
Táxi-lotação de R$ 5 passa a operar em Rio Branco após apreensão de ônibus
Pedro Marcelo/Rede Amazônica Acre
De acordo com a RBTrans, o serviço será feito por taxistas regularizados e ficará disponível enquanto durar a situação emergencial provocada pela redução da frota.
O embarque e desembarque dos passageiros ocorrerá em frente à Galeria Cunha, na Rua Quintino Bocaiúva, no Centro, tendo como referência a praça próxima ao Estádio José de Melo.
O superintendente da RBTrans, coronel Marcos Roberto da Silva Coutinho, informou que deve ser publicada uma portaria autorizando a prestação do serviço pelos taxistas cadastrados, de forma excepcional.
Conforme o órgão, a medida busca ampliar as opções de deslocamento da população enquanto parte da frota de ônibus permanece indisponível.
LEIA MAIS:
Aulas da Ufac são suspensas devido à diminuição da frota do transporte coletivo de Rio Branco
Tarifa técnica de R$ 11,29 é aprovada para empresa que deve assumir transporte coletivo de Rio Branco
Empresa que opera transporte público de Rio Branco cobra pagamento de R$ 30 milhões; RBTrans nega dívida
A superintendência informou ainda que algumas linhas de ônibus continuam em operação, porém com quantidade reduzida de veículos. Por isso, orienta os passageiros a acompanhar os horários e seguir as orientações dos agentes de trânsito durante o período de funcionamento da medida emergencial.
Táxis-lotação são utilizados por passageiros que dependendo do transporte público de Rio Branco
Richard Lauriano/Rede Amazônica
A RBTrans também orientou que a população utilize apenas táxis regularizados e informou que manterá a fiscalização para coibir a atuação de transporte clandestino e cobranças irregulares.
⏩A situação ocorre a poucos dias do encerramento do contrato emergencial da Ricco Transportes e Turismo com a Prefeitura de Rio Branco. A empresa será substituída pela JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos LTDA, que deve operar o novo transporte.
Ônibus do transporte público de Rio Branco são apreendidos
O que dizem os passageiros sobre o serviço
A implantação do táxi-lotação dividiu a opinião de passageiros que dependem diariamente do transporte público. Enquanto alguns consideram a alternativa importante para evitar atrasos, outros afirmam que o serviço ainda enfrenta demora.
A agricultora Maria Honório contou que saiu de casa, no bairro Sobral, pela manhã para ir ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na volta, decidiu não seguir para o Terminal Urbano por acreditar que demoraria ainda mais para conseguir um ônibus, mas diz que também encontrou dificuldade para embarcar no táxi-lotação.
"Eu vim lá da Sobral, peguei o ônibus de manhã e vim para o INSS. Como os ônibus estão reduzidos, pensei que não ia para o terminal porque ia chegar em casa meio-dia. Aí fiquei aqui na parada do táxi-lotação da Sobral e já estou há mais de meia hora. Estou achando que está mais difícil do que o ônibus mesmo. Está difícil. O que era para ajudar, acabou atrapalhando", relatou.
Já a cozinheira Elizângela da Silva avaliou que a medida ajuda quem precisa chegar ao trabalho e não consegue esperar pelos ônibus.
"Desde 6h40 eu estava na parada e nada de ônibus. Aí pedi um táxi compartilhado para conseguir vir trabalhar, porque, se a gente não tiver como pedir o compartilhado, chega atrasado no trabalho. Os ônibus quebram, não têm janela para correr um vento e vivem lotados. É um sacrifício", disse.
Maria Honório e Elizângela da Silva relataram experiências diferentes com o táxi-lotação no primeiro dia da medida emergencial em Rio Branco
Richard Lauriano / Rede Amazônica
Apesar das dificuldades enfrentadas no transporte coletivo, Elizângela afirmou que considera positiva a criação do táxi-lotação durante o período de redução da frota.
"Achei essa medida dos R$ 5 boa, porque, se não fossem eles ajudando a gente, a gente estaria na parada esperando ônibus. Os motoristas também não têm culpa, estão trabalhando porque precisam. A medida foi boa", completou.
Decisão judicial
Nessa terça-feira (30), a Justiça do Acre apreendeu 38 ônibus da Ricco Transportes e Turismo, empresa responsável pelo transporte público da capital. Sem os veículos circulando, os estudantes bem como demais passageiros, enfrentam transtornos com lotação nas paradas de ônibus.
Segundo o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), o mandado judicial prevê a apreensão de 50 ônibus da empresa. A decisão é da Vara de Cartas Precatórias e foi cumprida por um oficial de Justiça por volta das 3h50 desta terça, com apoio da Polícia Judicial.
Ainda conforme a Justiça, uma carta precatória do Distrito Federal determinou a reintegração de posse de 50 ônibus da Transportadora São José do Tocantins e Expresso São José LTDA por conta de uma dívida da Ricco de quase R$ 3 milhões. A decisão liminar foi preferida pela 25ª Vara Cível de Brasília.
Ao g1, o superintendente da RBTrans afirmou, ainda nesta terça, que a decisão não tem nada a ver com a prefeitura e que está tomando todas as medidas judiciais cabíveis para garantir o serviço essencial.
Polícia esteve na garagem de ônibus do Terminal Urbano nessa terça-feira (30)
Richard Lauriano / Rede Amazônica
À Rede Amazônica Acre, a Ricco confirmou que há apenas 48 ônibus circulando na capital desde terça. No total, cada linha conta com apenas um veículo. Já a sócia-proprietária da Ricco, Bruna Fernandes Dias, afirmou que a empresa vai recorrer da decisão judicial.
Esta não é a primeira vez que ônibus da Ricco são alvo de medidas judiciais. Em julho de 2024, a Justiça de São Paulo determinou a busca e apreensão de 16 veículos da empresa após o atraso no pagamento das parcelas do financiamento dos ônibus.
VÍDEOS: g1