Palhaço há sete anos, professor usa humor para levar arte a comunidades no AC: 'Não é só performance'
29/03/2026
(Foto: Reprodução) Com humor e arte, professor leva alegria a comunidades carentes do Acre
No picadeiro ou fora dele, o riso ainda é um dos caminhos mais curtos para tocar alguém. No Dia do Circo, celebrado na sexta-feira (27), a história do Palhaço Pipoca mostra que a lona pode até não estar presente, mas o impacto da arte segue firme, principalmente onde ela quase nunca chega.
Por trás do nariz vermelho está Tássio Santos da Silva, de 37 anos, rio-branquense e professor de Educação Física. Ele é morador de Plácido de Castro, no interior do Acre, há dez anos. Foi no próprio ambiente de trabalho, entre atividades escolares e brincadeiras, que o personagem nasceu.
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Um episódio definiu o rumo: durante uma atividade em uma escola de Cruzeiro do Sul, também no interior do estado, uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA), chorou de emoção ao vê-lo.
A reação marcou Tássio e mudou a forma como ele enxergava o que fazia. A partir dali, o professor decidiu então se dedicar à palhaçaria. O que começou como extensão da recreação ganhou forma, nome e propósito.
“A infância, em muitos lugares, é atravessada por responsabilidades muito cedo. Quando a gente leva arte e alegria, não é só entretenimento, é restituição de um direito'', ressaltou.
Tássio Santos, de 37 anos, é professor, ele criou o Palhaço Pipoca e há mais de sete anos leva arte e humor a comunidades
Arquivo pessoal
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O Palhaço Pipoca soma mais de sete anos de atuação em escolas urbanas e rurais, eventos, praças e projetos sociais. A agenda inclui apresentações em ações organizadas pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), onde o professor trabalha, bem como aniversários e em bairros com pouco acesso à cultura.
Segundo Tássio, a rotina é puxada. Pela manhã ele dá aulas, à tarde atua como recreador e à noite estuda e ensaia técnicas circenses.
“Quando eu chego em comunidades onde o acesso à arte quase não existe, eu me coloco ainda mais no papel de acolher. Ali, não é só espetáculo. É como se eu precisasse abrir caminho primeiro, criar confiança”, explicou.
O trabalho como palhaço complementa a renda, com participação também em editais públicos de cultura. Mas é nos espaços mais vulneráveis que o sentido do personagem ganha outra dimensão.
Para ele, nesses contextos, o ritmo muda, a escuta ganha prioridade e o público participa da construção do momento. A apresentação deixa de ser apenas técnica. “Não é só performance, é encontro”, resumiu.
Tássio Santos, de 37 anos, é professor, ele criou o Palhaço Pipoca e há mais de sete anos leva arte e humor a comunidades
Arquivo pessoal
Ele observa que, em muitos casos, aquela é a primeira experiência das crianças com uma apresentação artística. O contato direto, a interação e o espaço para imaginar criam memórias duradouras.
Ainda de acordo com Tássio, o retorno vem em gestos simples: um pedido de autógrafo, um 'eu te amo' dito sem filtro ou até a participação inesperada de uma criança no meio da apresentação.
“A arte abre possibilidades, amplia o horizonte e traz autoestima. Às vezes, em uma hora de espetáculo, a criança vive algo que nunca teve'', explica.
Inspiração
O Palhaço Pipoca se constrói a partir de referências da palhaçaria contemporânea e da mistura entre brincadeira, técnicas circenses e contação de histórias.
Segundo Tássio, o foco está na interação e no acolhimento, sobretudo com crianças mais tímidas ou com necessidades específicas. “O nariz vermelho me lembra que, para muitas crianças, aquele momento pode ser o melhor do dia'', destacou.
Tássio Santos, de 37 anos, é professor, ele criou o Palhaço Pipoca e há mais de sete anos leva arte e humor a comunidades
Arquivo pessoal
Além disso, Tássio destaca que nos bastidores, o trabalho conta com a colaboração de três pessoas que ajudam a estruturar e ampliar o alcance de suas apresentações.
Entre elas estão Gilberto Pais, responsável pela elaboração de projetos, Marines Camelo, intérprete de Libras que garante acessibilidade ao público, e Emily Menezes, esposa de Tássio que atua como diretora das apresentações.
Para Tássio, o trabalho vai além do entretenimento e ganha outro significado quando encontra quem mais precisa.
“Tem lugares em que eu percebo que estou chegando não só como artista, mas como um adulto que olha, que escuta e que respeita”, finalizou.
VÍDEOS: g1