Menos da metade dos homicídios é solucionada no Acre, aponta pesquisa
11/07/2026
(Foto: Reprodução) Menos da metade dos homicídios é solucionada no Acre, aponta pesquisa
A cada 10 homicídios registrados no Acre entre 2020 e 2023, menos de cinco tiveram suspeitos identificados. Um levantamento do Instituto Sou da Paz, divulgado nessa quarta-feira (8), aponta que apenas 47% dos casos foram esclarecidos no estado.
Com o índice, o estado ficou na 11ª posição do ranking nacional. Apesar de resolver menos da metade dos casos, a taxa ficou acima da média nacional, que foi de 40%.
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🔎 Os crimes são considerados solucionados pela polícia quando a investigação identifica os suspeitos e reúne provas sobre o caso. A partir daí, o Ministério Público (MP-AC) pode oferecer denúncia à Justiça, mas a definição sobre culpa ou inocência cabe ao Judiciário ao final do processo.
Além do levantamento sobre a resolução dos crimes, o levantamento relembrou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, que colocou o Acre com 214 mortes violentas intencionais em 2023 segundo os dados atualizados pelo instituto.
Levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que apenas 47% dos homicídios no Acre foram esclarecidos entre 2020 e 2023
Dayane Leite/Reprodução Rede Amazônica Acre
Os dados também mostram que 63% dos homicídios registrados no estado naquele ano foram cometidos com arma de fogo, percentual que colocou o estado na 19ª posição do ranking brasileiro. Entre os jovens, a taxa de homicídios foi de 40,5 por 100 mil habitantes, também ocupando a 19ª colocação.
O g1 entrou em contato com o delegado Cristiano Bastos, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta. A DHPP é responsável por investigar assassinatos, desaparecimentos e demais crimes violentos na capital.
Já em relação aos feminicídios, o cenário é mais preocupante. O Acre registrou taxa de 2,3% mulheres mortas por 100 mil habitantes em 2023, uma das maiores do país, empatado com Tocantins e atrás apenas de Mato Grosso (2,5) e Rondônia (2,4). A média nacional foi de 1,4 caso.
Esclarecimento dos homicídios
Para medir a capacidade de investigação dos estados, o Instituto Sou da Paz utilizou dados dos Ministérios Públicos e Tribunais de Justiça, considerando o percentual de homicídios que resultaram em denúncia criminal até o final do ano seguinte ao crime.
No Acre, o índice de esclarecimento foi de 38% em 2020, não houve divulgação de dados em 2021, enquanto em 2022 o percentual chegou a 52% e, em 2023, ficou em 51%, o que levou à média de 47%.
Com esse desempenho, o Acre foi classificado no grupo de estados com percentual intermediário de esclarecimento e regularidade na divulgação das informações. No mesmo grupo aparecem Mato Grosso, Espírito Santo, São Paulo, Paraíba, Roraima e Pernambuco.
Casos sem solução
Após mais de um ano do assassinato de Yara Paulino da Silva, de 28 anos, o caso segue cercado de lacunas. A jovem foi morta em março de 2025, no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco, sob a acusação de ter matado a filha de 2 meses, desde então o caso está sem solução.
Outro caso foi de Daniel Oliveira da Costa, de 26 anos, que foi morto a tiros em novembro do ano passado na rua Peru, bairro Baixada da Habitasa, em Rio Branco. O jovem, que era monitorado por tornozeleira eletrônica e foi surpreendido por dois homens. Caso não foi solucionado.
Por fim, Clebeson Oliveira Portela, de 37 anos, foi morto com cerca de 15 tiros dentro da própria casa na madrugada no dia 19 de novembro no Ramal do Zezé, bairro Belo Jardim II, em Rio Branco. Desde então, ninguém foi preso.
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