Jogadores do Vasco-AC suspeitos de estupro de 2 mulheres se entregam à polícia
17/02/2026
(Foto: Reprodução) Alex Pires Júnior, o Lekinho, se entrega à polícia por suspeita de estupro em Rio Branco
Os jogadores do Vasco da Gama-AC Alex Pires Júnior, o Lekinho, Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario se apresentaram à Polícia Civil na tarde desta terça-feira (17). Eles são investigados pelo estupro de duas mulheres dentro do alojamento do time.
Os três jogadores tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça no domingo (15). O primeiro a se entregar foi Lekinho, que foi até a Delegacia de Flagrantes (Defla), em Rio Branco, acompanhado do treinador Eric Rodrigues e do advogado Robson Aguiar. Os outros dois suspeitos foram até a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) com o advogado Atevaldo Santana.
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👉 Contexto: Os jogadores Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior, da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC), são investigados pelo estupro de duas mulheres dentro do alojamento do clube, na madrugada da última sexta-feira (13), em Rio Branco. O primeiro está preso preventivamente desde domingo (15).
Ao sair da Defla, Lekinho conversou com a imprensa e negou as acusações. Da Defla, ele foi levado para a Deam, responsável pelas investigações, para prestar esclarecimentos. Os três devem passar por audiência de custódia nesta quarta (18).
"Eu tô aqui de livre e espontânea vontade, sei que não fiz nada de errado. Conversei com o Eric [treinador], mostrei tudo que tinha, tenho a mensagem da pessoa que, na verdade, nem me acusou, mas meu nome está sendo citado. Estou aqui para dar minha versão, estou à disposição da Justiça, porque sei que não fiz nada, não cometi nenhum tipo de crime, Deus é justo e vou provar isso na Justiça", declarou Lekinho.
Alex Pires Júnior, no centro, se entregou à polícia na tarde desta terça-feira (17)
Gustavo Almeida/Rede Amazônica Acre
O delegado Alexnaldo Batista, plantonista da Defla, disse que foi procurado pelo treinador do time e comunicado sobre a apresentação de Lekinho. "Comunicamos aos nossos superiores, ao delegado da Deam e fizemos o recebimento da apresentação dele para darmos o cumprimentos do mandado de prisão", resumiu.
O advogado Robson Aguiar confirmou que orientou o cliente a se apresentar à polícia e que a defesa vai apresentar novas provas à polícia.
"Provaremos que o Alex não tem nenhum envolvimento com essa situação. Disse que deveria se apresentar, cumprir um decisão judicial, levaremos as provas que a autoridade policial ainda não tem e, com toda certeza, haverá uma revogação dessa prisão", concluiu.
Jogadores supseitos de estupro chegam em carro de advogado para se entregarem à polícia
O advogado de Matheus Silva e Brian Peixoto, Atevaldo Santana, chamou a denúncia de frágil e acusou as vítimas de terem ido ao local fazer programa. Ele negou que os clientes tenham abusado das vítimas.
Os jogadores chegaram na Deam dentro do carro do advogado e não falaram com a imprensa.
"São narrativas ficcionais criadas por essas pessoas que se dizem vítimas. Foram lá fazer programa. Uma delas postou no outro dia que, infelizmente, estava arrependida por não ter ido para o Carnaval do Tucumã. Ora, uma mulher que é estuprada no mínimo fica com problemas psicológicos, não fica no outro dia dizendo que vai pro Carnaval", argumentou.
'Não vamos passar a mão na cabeça'
O treinador Eric Rodigues também afirmou que a denúncia é frágil, mas que acredita na Justiça e na versão dos atletas. Eric destacou ainda que os jogadores são do Rio de Janeiro e que o time presta assistência necessária no processo.
"A gente acredita na autoridade policial e na Justiça. Vão fazer o que tiver que ser feito. Quero deixar bem claro que, com o clube, eles erraram e não estamos aqui para passar a mão na cabeça, é terminantemente proibido acesso de qualquer pessoa ao alojamento, que não sejam dos alojados, principalmente de mulheres", complementou.
Jogadores do Vasco-AC são investigados por estupro
Arquivo/Jhon Lennon e Sueli Rodrigues
Eric falou que os últimos dias tem vivido um pesadelo e os familiares dos jogadores que vieram para o Acre estão muito preocupados e buscam informações a todo instante. O treinador destacou que acredita na inocência dos jogadores, mas que, se forem culpados devem pagar pelos crimes.
"Esses jogadores vieram para cá confiando em mim. Vocês não sabem o inferno que está sendo minha vida esses dias, tem mais de 20 alojados lá, familiares de todos desesperados e preocupados. Que possam se defender, provar a inocência. Se forem inocentes, que provem, se não forem, que paguem. Não estamos aqui para passar a mão na cabeça de quem estiver errado", lamentou.
Relembre o caso
O atacante Erick Serpa foi preso em flagrante no sábado (14) e teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia no domingo (15). Matheus Silva, Brian Peixoto e Alex Pires tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça e devem se apresentar à polícia acompanhados da defesa.
Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. (Confira no final da reportagem)
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Ao g1, o advogado Atevaldo Santana informou que os jogadores negam as acusações e sustentam que houve relação sexual consensual com as denunciantes.
"São réus primários, nunca responderam a nenhum processo criminal, são todos maiores de idade e não tem nada. Foi decretado a prisão temporária deles e vão se apresentar espontaneamente em sede policial. Vou escolher o dia ainda que vou apresentar eles", argumentou.
O caso foi registrado na Deam no sábado (14). O delegado Alcino Souza, que estava de plantão, informou que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo ele, as mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência naquele momento e foram encaminhadas para atendimento médico.
Jogadores do Vasco-AC são acusados de estupro
De acordo com o delegado, as vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. "Indicaram os nomes, o local que poderiam estar, que é o alojamento. Eu reuni uma equipe e fomos até o local. É uma casa bem grande, onde ficam vários jogadores, e lá conduzi o Erick Serpa para a delegacia. Os outros não estavam", afirmou.
Ainda conforme a polícia, as mulheres foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas aos abusos posteriormente. "Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação", resumiu o delegado.
Alcino explicou que as vítimas não foram ouvidas imediatamente porque estavam recebendo atendimento médico.
Ele destacou que o crime de estupro é de ação penal pública incondicionada, ou seja, não depende de representação formal da vítima para que a investigação seja iniciada. O inquérito segue sob responsabilidade da Delega
A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para que a mulher peça ajuda:
(68) 99609-3901
(68) 99611-3224
(68) 99610-4372
(68) 99614-2935
Veja outras formas de denunciar:
Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato;
Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes;
Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
Qualquer delegacia de polícia;
Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel.
Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer a notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008;
Ministério Público;
Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Nota da Secretaria de Estado da Mulher
O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), vem a público manifestar repúdio às declarações proferidas pelo treinador de futebol do clube Vasco da Gama-AC, em reportagens exibidas em programas de TV locais.
Durante sua fala, ao se posicionar sobre denúncias de estupro envolvendo atletas sob sua responsabilidade, o treinador desqualifica o trabalho técnico, ético e legal da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ao insinuar suposta parcialidade na condução das investigações.
Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher.
Causa especial preocupação, ainda, o conteúdo misógino e discriminatório presente nas declarações, ao atribuir às mulheres a responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. Mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros. Cada pessoa responde por seus próprios atos, e qualquer tentativa de transferir essa responsabilidade às mulheres configura culpabilização da vítima.
É igualmente inaceitável a tentativa de minimizar a gravidade do crime de estupro. Consentimento não é permanente, nem automático. Ainda que tenha havido encontro ou intenção inicial de relação sexual, a ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso. Sexo sem consentimento é estupro. Além disso, os relatos de tapas e puxões de cabelo mencionados nas falas caracterizam violência física, somando-se à violência sexual, o que eleva ainda mais a gravidade dos fatos.
A Secretaria de Estado da Mulher reforça que vem fazendo o acompanhamento das vítimas do caso em questão e reafirma que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável, seja física, sexual, psicológica ou institucional.
Discursos que naturalizam, relativizam ou justificam esse tipo de violência reforçam estruturas de desigualdade, silenciam vítimas, incentivam crimes contras às mulheres e terminam por afastá-las da busca por justiça.
Por fim, o governo do Estado do Acre reitera seu compromisso com a proteção das mulheres, o respeito às vítimas, a valorização do trabalho das instituições públicas e a promoção de uma cultura de responsabilização, igualdade e respeito.
Márdhia El Shawwa
Secretária de Estado da Mulher
Nota do clube Vasco-AC
A Associação Desportiva Vasco da Gama (AC) tomou conhecimento de informações divulgadas publicamente indicando o envolvimento de atletas vinculados ao clube em ocorrência sob apuração pelas autoridades competentes.
Diante da seriedade do assunto, a instituição informa que adotou medidas administrativas internas para apuração dos fatos e permanece à disposição para colaborar integralmente com as autoridades.
O clube reafirma seu compromisso com a integridade, o respeito e a observância das normas, ressaltando que qualquer conclusão sobre responsabilidade depende da apuração oficial, com garantia do devido processo legal.
Ao mesmo tempo, a Associação esclarece que não compactua com qualquer forma de violência e adotará as medidas cabíveis, no âmbito interno, conforme o andamento das investigações.
Por respeito às pessoas envolvidas e ao curso das apurações, a Associação não fará comentários adicionais neste momento.
Atualizações serão divulgadas exclusivamente por canais oficiais.
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