Dois meses após queda de ponte no Acre, laudo pericial sobre causas do acidente segue sem conclusão

  • 05/08/2026
(Foto: Reprodução)
VÍDEO mostra momento em que ponte desabou no interior do Acre Dois meses após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, o laudo pericial que deve apontar as causas do acidente segue sem previsão de conclusão. Segundo a Polícia Civil, apesar da demora, o documento está em fase de complementação técnica. 👉 Contexto: O acidente, ocorrido no dia 5 de junho, deixou quatro pessoas feridas e teve repercussão nacional. O juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, segue internado em um hospital de São Paulo. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) investigam o caso. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp O g1 entrou em contato com a Construtora Cidade Ltda, responsável pela obra, e com o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) e, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno. Ainda conforme a Polícia Civil, devido a complexidade do desastre, foram solicitados exames periciais complementares e especializados. "Também tivemos a necessidade de precisão técnica para conclusão do laudo pericial, que vai determinar as causas do colapso", diz,. Em junho a Justiça do Acre bloqueou R$ 36 milhões da construtora Cidade, responsável pela construção da obra Jhenyfer Souza/g1 Em julho, quando o acidente completou 30 dias, a Polícia Civil informou que pediu prorrogação nas investigações. O g1 apurou que os escombros da ponte segue dentro do Rio Iaco. O Ministério Público do Acre (MP-AC) confirmou que determinou a instauração de um inquérito civil para análise de documentos e requisitar novas providências. O objetivo do inquérito, conforme o promotor Júlio César, é constatar a quantidade e a qualidade dos materiais usados na construção da ponte. Vítima segue internada No último sábado (1º), uma irmã do juiz Edinaldo Muniz, disse que o aposentado já iniciou a fisioterapia nas pernas e nos braços. Nas imagens, é possível ver o homem de pé, contudo, se locomovendo com ajuda de um andador. Edinaldo transmitia uma live no local do acidente e já passou por 9 cirurgias. "Ele está bem, graças a Deus. Está na fase das fisioterapias e cada dia se recuperando mais. É incrível a força de vontade dele de superar tudo isso. Meu irmão é um guerreiro, um milagre", celebrou Edileuza Muniz. Edinaldo Muniz começou a fazer fisioterapia e já consegue ficar em pé Arquivo pessoal O juiz Edinaldo teve um traumatismo craniano, um trauma interno abdominal e renal e passou por nove cirurgias por conta das lesões. LEIA MAIS: Ponte Frei Paolino: Construtora responsável por obra tem bens bloqueados pela Justiça Moradores fecham rodovia em protesto por melhorias após ponte desabar no Acre Empresa responsável por ponte que desabou no AC assinou outras seis obras no estado; veja quais Na madrugada de 18 de junho, após quase duas semanas internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Rio Branco, o juiz foi transferido para o Hospital Vila Nova Star, centro especializado em neurocirurgia de São Paulo, por meio do Tratamento Fora de Domicílio da Secretaria de Saúde, onde segue desde então. A ponte Ponte Frei Paolino Baldassari estava interditada desde o dia anterior à queda, após apresentar risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da queda e as pesssoas que passavm pelo local no momento do desastre. Weverton Murieta, de 34 anos, foi o primeiro dos sobreviventes a receber alta médica. No dia 9 de junho, foi a vez do advogado Edinei Muniz, de 51 anos, que é irmão do juiz aposentado, deixar o hospital. Já no dia 11 do mesmo mês, Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, recebeu alta do Pronto-Socorro de Rio Branco após passar por cirurgia ortopédica e retirar um dreno torácico. O g1 entrou em contou com os feridos acima, mas nenhum deles quis se pronunicar sobre o ocorrido. Weverton Murieta, Edinei Muniz e Antônio Morais Lima Filho ficarem feridos no desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari Reprodução Bens da construtora bloqueados No dia 12 de junho, a Justiça do Acre determinou o bloqueio de bens da Construtora Cidade, responsável pela construção da ponte. A medida atendeu a pedido de tutela de urgência apresentada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) na Vara Cível de Sena Madureira. O objetivo era garantir recursos que possam ser utilizados na reparação dos danos causados pelo desabamento da estrutura. O bloqueio foi fixado em até R$ 36 milhões, valor correspondente ao custo da obra. A decisão também manteve a suspensão de contratos e pagamentos do governo estadual à empresa, medida adotada pelo Estado após o desabamento. Além disso, a Justiça determinou a preservação de documentos e provas relacionados à construção da ponte, incluindo projetos, relatórios de fiscalização, medições e demais registros técnicos. E ainda apresentar apólices de seguro da obra e informações sobre eventual comunicação do sinistro. A construtora Cidade e o Estado devem apresentar um plano de trabalho com cronograma para a retirada dos escombros e reconstrução da ponte. O governo também precisa detalhar ações emergenciais para garantir a manutenção da Estrada Mário Lobão. Ponte Frei Paolino Baldassari desabou em Sena Madureira após quase três anos de inauguração Alissson Oliveira/Secom Entenda o caso A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada no dia 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte da estrutura que ruiu corresponde a 60% da extensão de 139 metros. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do acidente, enquanto o Ministério Público do Acre (MP-AC) abriu procedimento e solicitou uma perícia ao DNIT para verificar se houve falhas no projeto, na execução da obra ou nos materiais utilizados. Quando completou um mês após o desabamento, as investigações sobre as causas do acidente foram prorrogadas por mais 30 dias, totalizando 60 dias. Segundo a Polícia Civil, o prazo foi estendido porque o laudo pericial, considerado a principal peça técnica do inquérito, ainda não foi concluído. Após o desabamento, a Justiça determinou que a Construtora Cidade Ltda., adotasse medidas emergenciais para reduzir os riscos à população, sob pena de multa diária. A empresa informou que identificou rachaduras e movimentações no solo dias antes do acidente e recomendou a interdição. VÍDEOS: g1

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/08/05/dois-meses-da-queda-da-ponte-frei-paolino-em-sena-madureira.ghtml


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