64 anos de estado: relembre legado de José Augusto, primeiro governador eleito do Acre
15/06/2026
(Foto: Reprodução) Para preservar a memória, a família doou o acervo pessoal do ex-governador à Ufac
Arquivo pessoal
O Acre completa 64 anos de elevação à categoria de Estado nesta segunda-feira (15). A data, marcada por uma programação comemorativa no Calçadão da Gameleira, em Rio Branco, reacende a memória de um dos personagens mais importantes da história acreana: José Augusto de Araújo, primeiro governador constitucional e democraticamente eleito em 1962.
Natural de Feijó, no interior do estado, José Augusto assumiu o governo em 1º de março de 1963 com a missão de transformar o Acre no estado-modelo da federação após a emancipação política.
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O g1 conversou com a viúva de José Augusto, Maria Lúcia Melo de Araújo, de 91 anos, e com a filha dele, Nazareth Araújo, que foi vice-governadora entre 2014 e 2018. Elas contaram as memórias que têm do político e, principalmente, da pessoa do ex-governador.
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Ele também era pai de Ricardo Araújo, superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Acre.
José Augusto de Araújo, 1º governador eleito no Acre, deposto pela ditadura militar em 1964
Reprodução/TJ-AC
Ascenção e queda
“Era um jovem de 33 anos quando tomou posse, mas um jovem que sabia o que queria para beneficiar esse estado. Queria que o Acre fosse o estado modelo da Federação do Brasil. O plano de governo dele era excelente. Ele tinha se formado há pouco tempo e queria fazer o melhor possível”, relembrou Maria Lúcia.
Entre as propostas defendidas por José Augusto, estavam iniciativas ligadas à educação superior e ao fortalecimento das instituições públicas, que mais tarde resultaram na criação de órgãos como a Universidade Federal do Acre (Ufac) e o Ministério Público do Acre (MP-AC).
A ex-primeira dama destaca que a implantação dessas instituições públicas faziam parte do projeto do marido. Mais de seis décadas depois, familiares do ex-governador mantêm viva a história do político, que teve o mandato interrompido pelo golpe militar de 1964 e morreu em 1971 após sofrer uma série de infartos.
Com o início da ditadura, os opositores de Araújo viram a chance perfeita para se livrar dele. O governador escolhido pelo povo passou a ser denunciado aos militares como 'comunista'. No dia 8 de maio de 1964, José Augusto foi forçado a renunciar, data ficou conhecida como 'Cerco ao Palácio'.
O governo de José Augusto durou pouco mais de um ano. Após o golpe militar, ele foi afastado do cargo e precisou deixar o Acre com a família, indo se abrigar no Rio de Janeiro, onde viviam parentes da esposa.
Em 2014, após 50 anos, a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) anulou a cassação de José Augusto. Conforme Maria Lúcia, foi a saída do governo que agravou a saúde do esposo.
“Foi horrível para ele. Um rapaz jovem, que tinha muita vontade de fazer o bem para a população, principalmente a população pobre. Ficamos em casa, ele já estava muito doente. Foi uma fase muito difícil para a nossa família”, relata.
Família guarda caneta usada por José Augusto na cerimônia de posse
Arquivo pessoal
Relíquias da memória
Entre os objetos guardados pela família está uma caneta utilizada por José Augusto na cerimônia de posse como governador do Acre. O item foi presenteado por moradores de Cruzeiro do Sul, no interior do estado, e é tratado pela família como uma das principais relíquias da trajetória do ex-governador.
“Foi muito importante não só para ele, como para a nossa família”, afirma Maria Lúcia sobre o item.
A família mantém fotografias e documentos históricos do período em que José Augusto participou da construção do estado. Entre os objetos, uma flâmula, pequena bandeira com formato triangular com a frase: 1ºAniversário do Govêrno Trabalhista Prof. Jose Augusto 1963-1964.
Legado inspirou a filha
Ricardo Araújo (à esquerda), ao lado da mãe, Maria Lúcia. Também aparece na foto Nazaré Araújo (penúltima da esquerda para a direita)
Reprodução/Instagram
Procuradora do Ministério Público do Acre (MP-AC), Maria de Nazareth Mello de Araújo Lambert, filha de José Augusto, conta que a trajetória dos pais influenciou diretamente sua formação profissional e política.
Para ela, o legado deixado pelo ex-governador está associado à defesa da cidadania e ao acesso a direitos básicos.
“É um orgulho imenso. Quando você entende os ideais que aquelas pessoas defendiam, o que queriam para a nação, você percebe a importância desse legado e isso definiu a minha vida também. Acabei sendo procuradora do Estado do Acre nessa busca pela justiça e pela realização da justiça”, destaca.
Segundo Nazareth, como de forma de manter viva a história política do pai, ela decidiu doar à Ufac, um acervo familiar com itens relacionados ao período dele no governo.
Entre os materiais estão livros sobre administração pública, filosofia, história do Acre e da Amazônia Ocidental. “É uma riqueza de conhecimento e história viva. Enchi dez caixas de livros sobre administração, filosofia e história do Acre. Vou levar tudo para o Acre aqui do Rio de Janeiro, afirmou.
Preservar essa memória é uma forma de também manter viva a história do Acre e das pessoas que participaram da construção do estado. “É muito necessário que as pessoas conheçam esse legado. Faz parte da história do Acre e não pode ser apagado pelo tempo”, reforça.
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